Empregados - 05/10/2012 Como é a vida sem empregada doméstica

Como é a vida sem empregada doméstica

Renata entre o marido, Pedro, e o filho: a família nunca teve empregada e sempre dividiu as tarefas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou o que muitas famílias já vinham observando no dia a dia: o número de empregadas domésticas diminuiu no Brasil. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 mostrou uma queda no percentual de domésticas de 17,1 para 15,8 entre os anos de 2009 e 2011. Em números isso significa que, enquanto em 2009 as empregadas eram 6,6 milhões de trabalhadoras, em 2011 elas passaram a ser 6,1 milhões.


A explicação mais difundida para essa diminuição da mão-de-obra e consequente dificuldade em contratar empregadas e faxineiras seria a de que os trabalhadores domésticos, melhor remunerados atualmente, começaram a enxergar outras possibilidades profissionais. “A relação de trabalho do patrão com o empregado doméstico mudou muito nos últimos e anos e vai continuar mudando. Empregada tem tempo determinado. Ela não é mais para a vida toda. Quem vai contratar um empregado hoje em dia não pode mais ter essa expectativa”, afirma Rosângela Casseano, diretora do Aqui em Casa, site que coloca contratantes em contato com currículos de empregados domésticos.


Se antes a doméstica trabalhava mais de dez horas por dia, recebia salário mínimo e ainda desistia da folga semanal se o empregador pedisse, hoje ela sabe quais as leis que regem o contrato. “Atualmente a doméstica conhece muito bem todos os seus direitos. O acesso à informação é muito mais amplo. Com tantas mudanças, inclusive no nível salarial da categoria, muitas pessoas gostariam de não precisar mais dessa mão-de-obra. Mas isso ainda não é possível para todas as famílias”, afirma Rosângela. Para algumas, no entanto, viver sem empregada é uma realidade.
 

Estilo de vida
A esteticista Renata Gonçalves, 40, mora com o marido e o filho adolescente de 16 anos. Nunca teve empregada ou faxineira. “Eu tenho cachorro bravo em casa e ficaria complicado ter que prendê-lo para a empregada poder entrar e limpar tudo. O fato de ter uma pessoa estranha dentro da minha casa também me incomoda.”


Na casa de Renata é o marido, Pedro, quem se encarrega da maior parte do trabalho doméstico. “A minha carga horário no emprego é bem maior, então ele faz a faxina semanal. Meu marido não se incomoda. A gente acaba se adaptando ao estilo de vida que podemos ter”, afirma Renata.


Separada e com filhas gêmeas de três anos, a secretária e microempresária Thiciane Garcia Silva, 26, também adotou a ausência de empregada como estilo de vida. E não se arrepende. “Trabalho em um escritório de advocacia até o meio da tarde, busco minhas filhas e começo a cuidar da minha confecção de moda praia. Faço tudo sozinha e adoro. Não trocaria minha rotina por nada”, afirma.


“Já tentei ter faxineira, mas o serviço não saía bem feito. Eu sempre tinha que refazer algo e ainda tinha que pagá-la. Era trabalho em dobro. Resolvi dispensá-la e ainda acabei economizando”, conta.


Mesmo com uma vida corrida, Thiciane faz questão de preparar o jantar das filhas e reserva algumas tardes na semana só para elas. “Toda semana faço passeios diferentes com as meninas: cinema, parque, visitar amigos e parentes ou jantar fora. Posso dizer que hoje eu não preciso de empregada.”

 

Uma tarefa por dia
Para dar conta de tudo, Thiciane utiliza o sistema de divisão de tarefas. Ela costuma lavar roupa duas vezes por semana e passar apenas na sexta-feira. Limpa a casa durante a tarde de algum dia da semana. Segundo a especialista em organização Ingrid Lisboa, dividir é realmente a maneira mais eficiente de manter a casa em ordem.


“Muitas pessoas deixam tudo para o sábado, mas fica muito cansativo. O fim de semana deixa de ser tão divertido. Além disso, é preciso não deixar as coisas acumularem. Cada item precisa ter um lugar certo para ser guardado”, ensina Ingrid.
 

A cabeleireira Suzana Sofia Gabriel Maximo, 29, casada e sem filhos, não consegue dividir a faxina entre os dias da semana devido à carga horária do seu trabalho, mas nem por isso perde o fim de semana fazendo faxina. “Eu limpo a casa na segunda-feira, dia da minha folga, e mantenho tudo em ordem durante o resto da semana. Para que contratar uma empregada se eu faço melhor? Não me incomodo em cuidar da casa e também não fico estressada se não dá tempo de fazer alguma coisa.”
 

Não tão à vontade assim com o trabalho doméstico, a advogada Thairiny Dakil, 33, mora sozinha há dois meses e não pretende continuar cuidando da casa sem auxílio. “Faço o trabalho da casa conforme minha inspiração do dia. Não sou neurótica com relação à bagunça, mas não tolero sujeira e, como não gosto de perder tempo limpando, não vejo outra alternativa. Penso em contratar uma faxineira no futuro próximo. Pelo menos de 15 em 15 dias.”
 

Europa
Se o Brasil começou a notar a escassez de mão-de-obra doméstica faz pouco tempo, em outros países essa realidade já é vivenciada há anos. A editora de imagens Milena Matrone Campos, 35, vive há quatro anos e meio em Estocolmo, na Suécia. Ela não tem empregada desde que passou a viver na Europa.

 

“Aqui na Suécia, e na Europa em geral, não existe essa cultura de empregada doméstica. As pessoas saem de casa muito novas e aprendem a se virar como podem. Além disso, o custo é alto pela qualidade do serviço”, explica.
 

Milena, com a ajuda do marido, consegue terminar a faxina da casa em poucas horas. Com um bebê a caminho, ela conta que as escolas oferecem período integral e os pais, normalmente, conseguem cumprir horários alternativos no trabalho e dividem a tarefa de levar e buscar as crianças. “Mesmo depois do nascimento do meu filho, não penso em ter empregada.”
 

fonte: Danielle Nordi- iG São Paulo